O que Aprendi com Greta Thunberg

O que Aprendi com Greta Thunberg

As vezes tenho a clara certeza de que realmente vivo numa bolha. Em algumas conversas com amigos, mencionei as últimas conquistas de Greta Thunberg e muitos não sabiam do que eu estava falando. Bom, ninguém é obrigado a saber, mas diante do caos ambiental em que estamos inseridos, é difícil aceitar que as pessoas não saibam.

Greta Ernman Thunberg é uma ativista ambiental da Suécia, líder do movimento “Greve das escolas pelo clima”. Sua família não me parece nada comum. A mãe, Malena Ernman, é cantora de ópera, até pouco tempo com carreira internacional (já explico!). O pai Svante Thunberg, é ator. Greta também tem uma irmã mais nova, Beata.

INCRÍVEL CURIOSIDADE

Greta é parente de Svante August Arrhenius, um químico sueco que recebeu o Prêmio Nobel de Química de 1903. Ele é considerado o pai da “Ciência da Mudança climática”. Por meio do seu trabalho ela se desenvolveu. Detalhe: o pai de Greta tem o mesmo nome em homenagem a ele!

Na verdade, de acordo com Svante Thunberg seus pais não conheciam muito bem a teoria deste parente famoso, mas reconheciam a importância do prêmio por ele conquistado.

O fato é que 100 anos depois deste importante reconhecimento, em 2003, nasceu a pequena grande Greta que desde de Agosto de 2018 passou a ausentar-se das aulas de sexta-feira para protestar. Ela escreveu um cartaz com a frase “Greves escolares pelo Clima” e sentava-se próximo ao parlamento sueco, exigindo ações por parte dos políticos do seu país, para aliviar as mudanças climáticas.

O que aconteceu foi que estudantes de outras comunidades e nações se organizaram para protestos semelhantes ao de Greta.

O QUE TENHO APRENDIDO COM ESSA PESSOA INCRÍVEL?

1. POSSO SOFRER E CHORAR

Aos 8 anos Greta começou a entrar em contato com a realidade do planeta. Sua professora mostrou imagens do plástico nos oceanos e trouxe informações que mudaram sua vida. Ainda criança, passou a se interessar e estudar o tema. Aos 11 anos, imersa em tristeza e desespero, por questões pessoais e, por não ver nada mudar, adoeceu. Greta desenvolveu uma depressão, parou de comer, emagreceu muito e durante um ano não conseguiu ir para a escola. Neste período sua família precisou se reorganizar. Ela foi diagnosticada com Síndrome de Asperger, uma condição do espectro autista (falarei mais sobre isso!).

O que isso me ensina? Que eu posso chorar e sofrer diante da realidade que vivemos, do caos que construímos ao longo das últimas décadas, das escolhas erradas que fizemos tanto no âmbito pessoal, quanto no coletivo!

2. DEVO AGIR

Greta chorou e sofreu intensamente por aproximadamente um ano, mas imagino que com o apoio da família e do tratamento médico ela conseguiu se levantar. A garota percebeu que podia fazer alguma coisa, então decidiu agir. Poucos anos depois decidiu iniciar a sua greve escolar. Tão simples e tão poderoso.

O que isso me ensina? Que eu devo agir também. Que é necessário transformar toda a frustração e a raiva existentes dentro de mim em algo bom, algo prático que poderá de verdade mudar minha/nossa triste realidade.

3. PRECISO PERSEVERAR

Greta não desistiu. Muitas vezes sozinha, quieta, ela estava lá com a sua plaquinha. Mesmo que os seus olhos não pudessem ver “nada” mudando, nada realmente acontecendo. A certeza de que a sua atitude estava de acordo com seu propósito, de que era coerente, a manteve e mantém firme.

Em agosto deste ano, Greta saiu do Reino Unido, rumo a Nova York em um veleiro de regata para participar da conferência sobre mudanças climáticas na ONU, que acontecerá dia 23 de setembro. Como se recusa a andar de avião para não contribuir com a emissão de carbono, a embarcação do veleiro sustentável Malizia II se ofereceu para leva-la gratuitamente aos Estados Unidos (leia mais AQUI). Será que essa menina é perseverante?

O que isso me ensina? Que eu preciso perseverar. Mesmo que todos ao meu redor estejam usando descartáveis, mesmo que o consumo desenfreado continue tão cruel, ativo e irresponsável, mesmo que o governo não dê o menor sinal de que se importa, mesmo que me chamem de louca… Perseverar é preciso!

4. CONSIGO SAIR DA MINHA ZONA DE CONFORTO

Com certeza não tenho preparo ou o conhecimento necessário para escrever sobre isso, mas minha empatia me possibilita ao menos imaginar… Greta é autista. Sua condição dificulta significativamente sua comunicação, seus relacionamentos sociais. Como ela mesma diz, seu mundo é basicamente preto e branco, é ou não é. Não existem rodeios, palavras bonitas… Falar pode ser um grande desafio. Desafio este vencido somente quando extremamente necessário. Entendeu?

O que isso me ensina? Se a Greta Thunberg, sendo quem é, enfrenta câmeras, microfones, entrevistas, fotos, multidões, cheiros fortes, barulhos altos… Saindo constantemente da sua zona de conforto, acho que eu consigo sair da minha também, né?! Porque é extremamente necessário. É o futuro dos meus filhos. É o nosso futuro.

5. POSSO INSPIRAR E CONTAGIAR

O trabalho da Greta iniciou dentro da sua família. Convencer os pais que não comeria mais carne, inspirá-los a tornarem-se vegetarianos (ela é vegana), convencer à mãe, que tinha uma carreira internacional, a parar de viajar de avião e, se conter em trabalhar apenas em seu país. Viajar dias pela Europa, a bordo de um carro elétrico para participar de eventos climáticos, etc… A casa de Greta nunca mais foi a mesma.

Não parou por aí. Suas ações simples e pequenas, baseadas em convicções fortes, de alcance, a princípio mínimos, mas de uma grandeza planetária, de fato alcançaram multidões. Atualmente Greta tem mais de 3 milhões de seguidores no Instagram. É vencedora de diversos prêmios e indicada ao Prêmio Nobel da Paz. No dia 28 de agosto, foi recebida por 17 veleiros da ONU, um para cada objetivo de desenvolvimento sustentável, na ponte Verrazzano em Nova York (quando vi isso chorei!).

O que isso me ensina? Posso inspirar e contagiar minha família. Tenho visto isso acontecer há três anos. 2016 foi o ano que tudo mudou pra mim. Decidi agir. Minha casa mudou, meu trabalho mudou. Tudo mudou e desejo que continue mudando… Não apenas aqui, dentro de mim, mas que essas pequenas mudanças possam se unir às suas pequenas mudanças e que juntos a gente mude o futuro do nosso planeta!

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