Meu Casamento, Minhas Unhas

Meu Casamento, Minhas Unhas

Eu comecei nessa jornada lixo zero faz pouco tempo. Apesar de estudar a área ambiental há mais de 10 anos, desde o técnico até o mestrado, eu era da teoria que empurrar para a população a pressão de melhorar o mundo é muito injusto! São as indústria e agricultura que fazem tudo de errado e o governo parcialmente se omite gerando um impacto absurdo. Apesar de continuar a achar isso, comecei a repensar e entender, também, a importância da nossa pressão de consumo.

Assim, comecei a seguir uns perfis, inclusive o maravilhoso Casa Sem Lixo, e mudar minhas atitudes. O Kit Lixo Zero foi sendo montado aos poucos, porém vi uma foto da Nicole que fez muito sentido para mim: ela numa festa sem fazer a unha.

Apesar de gostar da unha feita (adorava uma unha vermelha!) nunca gostei de ir ao salão ou ficar parada – parece perda de tempo pra mim. Por isso só fazia unha pra ir a festas de casamento, 15 anos e formaturas.

POR QUE NÃO?

Ao ver aquela foto pensei, se eu me sinto bem sem fazer unha todos os dias por que não posso não fazer unha nestes dias também e ajudar mais um pouco o planeta? Então eu testei indo num casamento sem ter feito a unha (sem fazer escova também, outra parte do “kit de tradição em festa”) e a verdade é que eu nem pensei na minha unha, nem lembrei que não tinha feito e, acho que ninguém da festa reparou. A partir de então sem unha feita e com cabelos cacheados sempre!

Quando fiquei noiva refleti se ia não fazer unha no casamento…  Decidi que, se nunca faço porque ia fazer neste dia? Por que ia deixar de ser eu, a Gestora e Engenheira Ambiental quase ecochata (risos)? Por que deixar de lado um princípio por conta de pressão da sociedade se eu não me sentia mal? A pressão no casamento não é pouca! É difícil ter que se explicar, é difícil se afirmar afinal nunca tinha sido noiva e, as que já passaram por isso sabem dos arrependimentos que tiveram. Também fiquei um pouco preocupada com as fotos pois existe aquele foco nas mãos na hora das alianças, né? E a partir de então todos querem vê-las.

Me mantive firme internamente, desviei das perguntas antes do casamento e não falei para ninguém que não faria as unhas. No dia anterior minha mãe questionou, eu contei, não rolou reprovação. No dia, fazendo maquiagem, as madrinhas perguntaram e contei, não rolou reprovação. Na hora, como sempre não pensei nisso, não lembrei disso e acho que ninguém notou (e com certeza, ninguém falou nada).

Bom, agora as fotos chegaram. E estão lindas!

Acredito que ninguém precisa fazer igual a mim. Cada um sabe do que pode abrir mão. Isso foi muito fácil para mim. Mas espero incentivar você que como eu queira quebrar tradições mesmo no dia mais importante da sua vida (caso seja), mesmo no dia em que você vai ser A reparada/especial, mesmo no dia que você vai sofrer A pressão.

TEM QUE SER ASSIM?

Outra vontade minha é colocar uma pulguinha atrás da orelha, será que você precisa fazer tudo conforme o figurino no casamento? Será que existe algo dessa indústria louca que você não faria por conta do impacto que causa ao nosso querido planeta? Pessoalmente eu tentei fazer várias coisas, em algumas fui bem-sucedida (como na questão da unha) em outras não. A visão de mundo, principalmente no casamento, ainda é bem fechada. O diferente é desincentivado, desconhecido (ninguém tinha pronto um orçamento de decoração só com suculentas) e caro. Então como terceira a última provocação, vamos repensar essa indústria? Vamos fazer pressão com nosso consumo? Vamos mostrar para nossos convidados que existe uma outra maneira e que ela é normal também? Vamos não nos contentar?

Essa reflexão é diária e eterna em mim! Que venha Casa Lixo Zero, Filhos Lixo Zero (daqui a muitos anos), Festas Lixo Zero, Vida Lixo Zero!

Fica também um agradecimento  à Casa Sem Lixo, ao demais perfis, e a todos os seguidores que dão voz e força ao movimento! Que possamos continuar a nos incentivar! Estamos criando um grupo lindo! Estamos gerando um mundo melhor!


Gabriela Corrêa é carioca, apaixonada por Deus, pelo meio ambiente, crianças, educação e artesanato. É mestre em engenharia ambiental (UERJ), gestora ambiental (IFRJ), engenheira ambiental e sanitária (Celso Lisboa), especialista em educação ambiental (PUC-RJ extensão) e Técnica de Química de Meio Ambiente (IFRJ). Atualmente trabalha com tradução mas é louca para trabalhar na minha área.

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