KORUI: Questionar é preciso

KORUI: Questionar é preciso

Adoro contar histórias e se elas envolvem de alguma forma um estilo de vida questionador e sustentável, uau! Tudo a ver com a nossa Casa Sem Lixo.

Hoje vamos contar a história (meio entrevista!) da KORUI, uma empresa linda que nasceu do amor e do desejo de fazer a diferença! Motivados por questionamentos interiores a respeito do estilo de vida que levavam, Luisa e Pedro resolveram viajar pelo mundo apenas com o dinheiro da passagem de ida! Resultado: dois anos e meio de vivências incríveis e mais questionamentos sobre a vida. Entre as principais reflexões estava a relação com os produtos descartáveis.

As experiências da viagem envolveram muito trabalho: remunerado (EUA e Nova Zelândia) e como voluntários (Tailândia e na Índia); e um aprendizado especial de que é possível fazer as coisas de forma diferente. Com planejamento, esforço, tempo e empenho, aos poucos, o casal começou a perceber as mudanças acontecendo em seus hábitos. E foi assim que surgiu a ideia de investir em alternativas menstruais. 

O questionamento dos “descartáveis” os levou ao tempo das suas avós, que usavam panos de algodão dobrados, presos com alfinetes nas calcinhas. As alergias eram inexistentes, gastava-se pouco e o planeta era mais verde. Mas como usar absorventes de pano em um mundo onde a praticidade é fundamental? Dessa busca, o sonho de trabalhar com algo que tivesse um impacto positivo para o planeta começou a tomar forma.

KORUI – OS PRODUTOS

Os absorventes reutilizáveis vieram primeiro. Após meses de testes e pesquisas em busca da combinação de tecidos mais eficiente (melhor absorção, conforto, ajuste e resultado), em 2013 os primeiros modelos foram lançados. E assim nasceu a Korui, cujo nome é baseado em um símbolo indígena da Nova Zelândia que significa nova vida, novos começos, crescimento, força e paz.

Aos poucos a Korui expandiu o portfolio de produtos, lançando o coletor menstrual, um copinho de silicone que é dobrado e inserido no canal vaginal para coletar a menstruação, e a calcinha absorvente, que parece com uma calcinha comum, mas é capaz de absorver o fluxo menstrual e não deixar passar para a roupa.

ROTINA DE TRABALHO 

“Quando trabalhamos com algo que amamos, nós não trabalhamos”. Esta frase define o sentimento do Pedro e da Luisa, que agora são pais da Clara e do Gael! Eles enxergam o trabalho como uma causa. A rotina é puxada, conciliando tempo de qualidade com os filhos e os desafios diários de uma empresa que durante muito tempo funcionou em casa, mas hoje já possui um escritório.

A CONFECÇÃO

A própria Luisa foi a responsável pela costura dos absorventes durante muito tempo. Com o crescimento a Korui precisou buscar alternativas para a produção, que atualmente acontece em vários lugares de Santa Catarina. “Trabalhamos em parceria com costureiras autônomas e facções maiores. Mas sempre tomamos o cuidado de valorizar a mão de obra de quem trabalha direta ou indiretamente com a Korui. E é emocionante ver os resultados. A Korui proporciona, por exemplo, uma renda muito melhor para as costureiras autônomas, não demora muito até elas recusarem outros serviços e ficarem só conosco. Fora que elas adoram trabalhar com algo tão diferente e que gera tanta curiosidade nos vizinhos (risos)!” Assegura Luisa.

O MERCADO

Este tema continua ainda sendo um tabu. “Como lavar?” Essa é a pergunta mais enviada. Parte do tabu foi criado e é incentivado continuamente pelas grandes corporações que vendem absorventes descartáveis. Todo o marketing dá a entender que o sangue menstrual é sujo, tem cheiro ruim e precisa ser descartado, quando na verdade é lindo, cheio de vida, não cheira mal e é um adubo rico e cheio de nutrientes para as plantas!

E aí está o outro lado desta história (ou não seria causa!?): o incentivo à mudança social, o resgate de um mundo no qual o natural é belo e o corpo feminino mágico.

CLIENTE KORUI

São pessoas que buscam alternativas aos produtos de higiene menstrual encontrados hoje. Algumas por questões ecológicas, outras desejam opções mais saudáveis. Existem ainda as que procuram alternativas que valorizem o sangue menstrual e ajudem quebrar todo esse tabu que envolve a menstruação.

COMPROMISSO SOCIAL

Talvez para quem cresceu na cidade seja difícil de imaginar que ainda existam muitas comunidades pelo mundo onde as mulheres não têm acesso a produtos de higiene menstrual, recorrendo a métodos não seguros como jornais ou miolos de pão. Mas essa é a realidade de tantas pessoas. E é por isso que a Korui tem o compromisso de doar 1 coletor menstrual a cada 10 vendidos. O coletor menstrual facilita a vida das pessoas em idade fértil. Durante muitos anos elas não vão precisar se preocupar com a menstruação. Isso não apenas gera saúde, mas confiança e dignidade. Este projeto incrível recebeu o nome de “Dona do meu Fluxo” e já beneficiou mais de 800 mulheres.

FEEDBACK

A Korui não vende apenas alternativas menstruais, mas a esperança de um mundo melhor, sem tabus, sem preconceito. Desta forma, as pessoas que optam pelos produtos Korui normalmente tem orgulho desta decisão. A satisfação é ainda maior ao descobrirem que o uso é bem mais fácil do que se imagina: eles não vazam, atendem super bem as necessidades e são muito fáceis de usar e lavar. O resultado é o crescimento dessa rede de mulheres que desejam cada vez mais compartilhar com o mundo suas novas descobertas.

CONTROLE DE QUALIDADE

Todos os produtos passam pelas mãos da equipe interna que, com cuidado, procura imperfeições, defeitos no formato e até mesmo excessos de linha. “Para nós é muito importante que cada um dos nossos clientes tenha um produto Korui perfeito, de primeira linha!” declara Luisa.

FUTURO 

De acordo com Pedro e Luisa: “Nossos planos vão muito além de crescer ou aumentar vendas. Buscamos transformar sociedades, quebrar tabus e preconceitos. Alternativas menstruais reutilizáveis mudam o relacionamento das mulheres com o próprio corpo e empoderam. Nossa missão é incentivar uma forma de higiene menstrual natural e honesta, que dá valor ao sangue menstrual e respeita a beleza natural do corpo feminino.”  

Registro aqui minha gratidão a essa família que soma tanto à nossa causa desafiadora que é viver uma vida sem lixo. O termo sem lixo é muito amplo, tem a ver com os resíduos sólidos, mas também os “resíduos” ou “rejeitos” emocionais que uma sociedade tão capitalista acaba reproduzindo dentro de nós. Então vamos nos unir a Korui e questionar também. Bora?

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