Cúpula de ação climática 2019 – Notícia Sem Lixo

Cúpula de ação climática 2019 – Notícia Sem Lixo

Ontem, dia 23 de setembro de 2019, a sede da Organização das Nações Unidas abrigou a Cúpula de Ação Climática, convocada em 2018 pelo Secretário-Geral da ONU, o português António Guterres.

Com perfil político e não negociador, o objetivo principal da reunião era reunir propostas de ações mais rígidas, alinhadas com as inúmeras advertências dos cientistas, uma vez que os esforços alcançados para manter o aquecimento global dentro dos limites aceitáveis não resolvem mais o problema do planeta. Como já havia dito Guterres, apenas os planos mais ousados tiveram espaço no palco do evento. Ele pediu por planos, não  por discursos (adoramos!). Foram vetados os discursos da Autrália, Brasil, Estados Unidos e Japão.

ACORDO DE PARIS

Contextualizando, em 2015 foi assinado o Acordo de Paris o qual determina que todos os países signatários apresentassem planos para redução de emissões de gases de efeito estufa, afim de conter a elevação das temperaturas. A ideia era que a soma de todos fizesse com que o aumento médio não excedesse 2 graus Celsius durante o atual século, permanecendo abaixo de 1,5 graus Celsius. Mas, de acordo com os planos apresentados, pelos mais de 200 países, ultrapassa 3 graus! Segundo o discurso da Greta Thunberg: inaceitável! Pois de acordo com especialistas, o aumento para 3 graus significaria um gravíssimo impacto na natureza e nos seres humanos.

ALGO MAIOR!

António Guterres propões algo maior que o Acordo de Paris: reduzir para 1,5 graus Celsius. Como? Através destes quatro compromissos:

  1. Novas usinas a carvão não poderão ser construídas a partir de 2020.
  2. Encerramento do incentivo financeiro aos combustíveis fósseis que acabam dificultando o crescimento das energias renováveis.
  3. Que os planos para 2030 assegurem um corte de 45% nas emissões, comparadas com 2010.
  4. Que em 2050 alcancem a neutralidade de carbono, ou seja, que o expelido seja igual ao capturado, por exemplo, por meio das florestas.

Uau! Leia mais AQUI.

UMA JOVEM ATIVISTA BRASILEIRA

Infelizmente, como já era esperado, nosso presidente não participou da reunião. Por outro lado, uma jovem brasileira foi convidada para participar da mesa de abertura. Paloma Costa Oliveria, 27 anos, ambientalista e estudante de Direito, é coordenadora de clima da ONG Engajamundo, formada exclusivamente por jovens e voltada à capacitação para o ativismo climático. A jovem também é assessora do Instituto Socioambiental e cofundadora do projeto Ciclimáticos, que já percorreu mais de 500 quilômetros de bicicleta para registrar o impacto das mudanças climáticas em comunidades pelo interior do Brasil.

Em seu discurso Paloma lembrou que o mundo assistiu horrorizado às queimadas da Amazônia: “Precisamos ver a Amazônia pegando fogo para agir? Desde a minha primeira greve climática, meio bilhão de árvores foram destruídas na Amazônia, e as pessoas me perguntam se eu tenho medo de defender a floresta. Os defensores do meio ambiente estão em risco, mas eu não tenho medo. Eu tenho medo de morrer por causa da crise do clima. (Leia mais AQUI)

QUAL A MINHA PARTE NISSO TUDO?

Concluo esta notícia levantando, mais uma vez, a “bandeira” da Casa Sem Lixo. Talvez você, como eu leia ou assista tudo isso de uma realidade tão distante. Sem acesso a nenhum “poder político”, muitas vezes colocando-se única e exclusivamente numa posição de vítima. Creio que somos vítimas sim, de muitas decisões erradas dos líderes deste planeta, mas eu não me conformo em ficar sentada nessa cadeira. Como não faço parte da Cúpula da ONU, deixo aqui registrado meu apoio a todos que fazem isso, a Paloma, que está nesta luta há tanto tempo e a tantos outros. Que orgulho! Que eles sigam o seu caminho.

Mas como ela mesma disse em algum momento de seu discurso, que você pode assistir AQUI, nós precisamos AGIR. E por nós é claro que se dirigia aos líderes da cúpula, mas com certeza não apenas a eles. Porque existe uma ação PODEROSA nas minhas mãos, que só eu posso fazer. Na sua também! Escolhas, investimentos, estilo de vida… Isso tudo alimenta a indústria, os países, a roda do capitalismo… Onde investimos nosso tempo e dinheiro?

O que nós mães, pais estamos ensinado para os nossos filhos? Que estilo de vida eles estão aprendendo com a gente? Esse estilo de vida tem promovido um futuro possível para eles mesmos? Ou está destruindo a floresta que ainda nos resta?

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