A cultura do acúmulo

A cultura do acúmulo

Ainda me lembro das tantas revistas compradas e pesquisadas a fim de encontrar a estante perfeita, o modelo ideal para nossa sala… Os tempos eram outros. Meus objetivos, interesses estavam olhando para outra direção. Não havia uma preocupação com o tanto de coisas acumuladas. Não que eu fosse grande acumuladora. Creio que não. Tenho um pensamento um tanto prático e funcional, mas me faltavam dados, ou não seria mais contato com a natureza e sua realidade?

Há pouco mais de cinco anos mandamos fazer a estante da sala, desenhada por mim, com a ajuda dos cunhados “arquitetos” que me ajudaram a colocá-la “de pé”. Em momento algum passou pela minha cabeça o trabalho que ela traria… Limpar cada nicho é uma tortura. Organizar nem tanto… Afinal, essa parte ainda me traz um certo prazer.

Eu só pensava na possibilidade de colocar e organizar as coisas num só lugar, ao invés de deixar tudo espalhado pela casa. Sinceramente, quase 6 anos depois, constatamos que isso na verdade não aconteceu. Os livros continuam presentes em cada cômodo, assim como brinquedos e outros tantos objetos.

Apesar de ter diminuído em pelo menos um terço a quantidade de “tralhas” armazenadas na estante da sala, minha mente “lixo zero” de quase “ativista” considera um exagero tudo que continuamos acumulando, mas meu coração “apegado” ainda não liberou tudo… Creio que isso jamais acontecerá (nunca diga nunca!), porém, por ser uma eterna esperançosa, sonho com o dia em que o “menos” prevalecerá integralmente em nossas vidas.

Amo essa reflexão da Miriam Goldenberg, tirada de uma reportagem da revista Vida Simples: “…quanto mais as pessoas consomem, mais infelizes as pessoas ficam. Quanto mais se exibem, mais inúteis elas se sentem. Dá trabalho viver no excesso: ter dezenas de namorados, ler 300 jornais, ter uma opinião sobre tudo – não é fácil.”

O planeta não suporta mais esse estilo de vida. Acumular está fora de moda. Decidi levantar essa bandeira manchada de sangue de pessoas e animais – trabalho escravo, poluição, desmatamento, etc…

Deixo aqui o desafio de periodicamente passearmos pelos cômodos da casa, do escritório, da empresa… às gavetas do banheiro, os armários da cozinha, estantes e guarda-roupas… com este olhar atento ao meio-ambiente e cada vez menos conectato às mentiras vendidas pelo capitalismo selvagem (ô, ô, ô. – como tanto cantaram os ‘Titãs’ no século passado).

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